Gregarismo: por que festas dão energia a algumas pessoas e esgotam outras?
Algumas pessoas ganham vida numa festa; outras contam os minutos para ir embora. O que significa gregarismo, o que a pesquisa diz e como essa faceta é medida.
Esta tradução foi gerada automaticamente e pode conter erros.

São onze horas de uma noite de sábado. A festa está bombando.
Uma amiga está na cozinha conversando com pessoas que conheceu há uma hora, e não tem a menor intenção de ir embora. Um amigo já pegou o casaco discretamente. Ele se divertiu, mas agora o que mais quer é estar em casa, no sofá.
Nenhum dos dois está fazendo nada de errado. Então por que a mesma noite enche uma pessoa de energia e esvazia a outra?
Parte da explicação está no que os psicólogos chamam de gregarismo. No modelo Big Five, ele é uma das seis facetas da extroversão. A faceta descreve o quanto você gosta de estar entre muitas pessoas e o quanto busca multidões, festas e ambientes sociais movimentados.
O que significa gregarismo?
A palavra vem do latim grex, que significa rebanho ou bando. Na psicologia da personalidade, significa uma preferência pela companhia dos outros, especialmente em grupos maiores.
Quem tem pontuação alta costuma se reconhecer nisto:
- Você adora festas e encontros grandes.
- Você conversa com muitas pessoas diferentes, não só com quem chegou com você.
- Você acha multidões animadas, e não cansativas.
- Você raramente escolhe passar a noite sozinho se há algo social para fazer.
- Você fica inquieto depois de muito tempo sozinho.
Quem tem pontuação baixa não é antissocial. Muitas vezes gosta de um jantar com alguns amigos. Simplesmente tem mais necessidade de ficar sozinho e tende a evitar multidões.
O essencial não é se você gosta de pessoas, mas quanta companhia, e quantas pessoas ao mesmo tempo, faz bem para você.
Agir como extrovertido faz bem para quase todo mundo
Talvez você espere que socializar só faça bem para os extrovertidos. A pesquisa diz outra coisa.
Em um conjunto conhecido de estudos, os participantes relataram a cada três horas, durante duas semanas, o quanto tinham agido de forma extrovertida e como se sentiam. Cada participante se sentia mais feliz quando agia de forma extrovertida, sendo falante e expansivo, do que quando agia de forma introvertida. O mesmo padrão apareceu em diários semanais e em um experimento de laboratório em que se pedia às pessoas que agissem de forma mais ou menos extrovertida.
Um estudo posterior testou se isso também valia para os introvertidos. Os participantes foram designados aleatoriamente para agir de forma extrovertida ou introvertida. Os sentimentos positivos aumentavam quando as pessoas agiam de forma extrovertida, inclusive os introvertidos. Os sentimentos negativos não aumentavam.
Ou seja, não é que os introvertidos não gostem da vida social. A maioria das pessoas se sente melhor no momento.
Feliz agora, cansado depois
Então por que tanta gente precisa ir para casa recarregar as energias?
Um estudo acompanhou 48 pessoas por 12 dias, perguntando cinco vezes por dia sobre o comportamento, o humor e o cansaço delas. Agir de forma extrovertida estava ligado a um humor melhor e a menos cansaço no momento. Mas, três horas depois, o mesmo comportamento estava ligado a mais cansaço. Quanto mais pessoas alguém tinha encontrado, mais forte era o efeito.
Surpreendentemente, esse cansaço tardio não era mais forte nos introvertidos. Valia independentemente da personalidade.
Isso sugere que a vida social tem um custo para todo mundo. O que pode variar é o quanto você quer dela e quanto está disposto a pagar. Pessoas com gregarismo alto talvez estejam simplesmente mais dispostas a trocar um domingo cansado por um sábado animado.
Subestimamos o quanto é bom conversar com desconhecidos
Ao mesmo tempo, muitos de nós escolhem a solidão com mais frequência do que de fato aproveitariam.
Em experimentos em trens e ônibus, passageiros foram orientados a conversar com um desconhecido, a ficar na sua ou a fazer o trajeto como de costume. Quem conversou com alguém relatou uma viagem mais agradável, e não menos produtiva. Mesmo assim, outros passageiros, quando solicitados a prever o resultado, esperavam o contrário.
Parte do motivo era que as pessoas subestimavam o quanto os outros teriam interesse em conversar com elas.
Este não é um estudo sobre gregarismo. Mas mostra que a vontade de evitar os outros pode se basear numa previsão errada, e não só numa preferência real.
Gregarismo não é o mesmo que cordialidade ou timidez
Vale fazer duas distinções.
Primeiro, gregarismo não é o mesmo que cordialidade. A cordialidade trata de calor humano e de com que facilidade você faz amigos. Você pode ser caloroso e fácil de conhecer numa conversa a dois e ainda assim evitar festas grandes. Muitas pessoas com gregarismo baixo têm amizades próximas e leais.
Segundo, não é o mesmo que timidez ou ansiedade social. Uma pessoa com gregarismo baixo evita multidões porque não precisa delas. Uma pessoa tímida pode querer fazer parte, mas se sente desconfortável por causa de como os outros podem julgá-la. Essa é outra faceta, a autoconsciência, que pertence ao neuroticismo e no nosso teste trata justamente de timidez e inibição social.
Imagine duas pessoas que não vão à festa da empresa. Uma prefere passar a noite lendo. A outra gostaria de ir, mas tem pavor de ficar sozinha num canto com um copo na mão. Mesmo comportamento, motivos diferentes. Você pode ler mais sobre isso no nosso artigo sobre o que realmente significa ser introvertido.
O que significa uma pontuação alta ou baixa?
Gregarismo alto
Você ganha energia e prazer estando entre muitas pessoas. Muitas vezes aceita convites e pode ser quem reúne os grupos.
O outro lado pode ser ficar inquieto quando passa muito tempo sozinho, ou ter uma agenda tão cheia que sobra pouco espaço para descansar.
Gregarismo baixo
Você prefere grupos menores e valoriza o tempo sozinho. Pode achar grandes encontros cansativos, mesmo quando gosta de partes deles.
Isso não significa que você seja solitário ou antissocial. Muitas pessoas com pontuação baixa têm uma vida social rica, só que em escala menor e num ritmo mais calmo.
As duas descrições tratam de tendências típicas, não de regras que valem em todas as situações.
No dia a dia
- No trabalho: Escritórios abertos, eventos de equipe e conferências combinam bem com quem tem pontuação alta. Quem tem pontuação baixa costuma render mais com algum tempo de silêncio e pode se beneficiar de planejar pausas depois de reuniões longas.
- Nos relacionamentos: Casais com pontuações diferentes muitas vezes discordam sobre quantos programas marcar no fim de semana. Um meio-termo útil é combinar quantas noites sociais por semana parecem adequadas e, às vezes, sair separados.
- Nas festas: Quem tem pontuação baixa costuma aproveitar mais se chega cedo, encontra uma conversa menor e vai embora quando quiser, sem culpa.
- Nas férias: Quem tem pontuação alta pode curtir um resort movimentado ou uma viagem em grupo. Quem tem pontuação baixa muitas vezes prefere uma casa de campo, um grupo pequeno ou viajar sozinho.
O gregarismo pode mudar?
A personalidade é bastante estável, mas não fixa.
Em um grande estudo de longo prazo com adultos, medido com o questionário que serviu de modelo para as facetas do nosso teste, o gregarismo seguiu um padrão em curva ao longo da vida adulta, com as pontuações chegando ao pico por volta dos 60 anos.
Experimentos também sugerem que os introvertidos podem se beneficiar de agir de forma um pouco mais extrovertida de vez em quando. Os pesquisadores por trás do estudo sobre comportamento contrário à própria disposição concluíram que os introvertidos podem ganhar em humor com isso, enquanto extrovertidos que precisam agir de forma introvertida por muito tempo podem achar isso mentalmente custoso.
Você não precisa virar uma pessoa baladeira. Mas, se quiser mais contato social, pode ajudar:
- Lembrar que a maioria das pessoas gosta mais de socializar do que previa antes.
- Planejar tempo de recuperação depois de grandes eventos, em vez de evitá-los por completo.
- Escolher formatos que combinem com você, como uma caminhada com um amigo em vez de um bar lotado.
- Aceitar que querer ir embora cedo é uma preferência, não um defeito.
Perguntas frequentes
É verdade que introvertidos recarregam sozinhos e extrovertidos recarregam com pessoas?
Em parte. A pesquisa mostra que o comportamento social faz bem no momento para a maioria das pessoas e que, também para a maioria, está ligado a mais cansaço algumas horas depois. Quem tem pontuação alta em gregarismo parece querer mais disso, mas a ideia de que só os introvertidos se esgotam com pessoas é simples demais.
Posso ser gregário e ainda assim precisar de tempo sozinho?
Sim. Todo mundo precisa de algum descanso. Uma pontuação alta significa que você busca companhia com mais frequência, não que nunca precise de uma noite tranquila.
Gregarismo baixo é sinal de depressão?
Não por si só. Preferir grupos pequenos e a solidão é uma diferença normal de personalidade. Mas, se você perdeu o interesse por pessoas e atividades de que costumava gostar, isso é outra coisa, e pode valer a pena conversar com seu médico ou com um psicólogo.
Como o gregarismo é medido no teste Big Five?
Nosso teste se baseia no IPIP-NEO-120, em que cada faceta é medida com quatro afirmações. No caso do gregarismo, elas tratam de adorar festas grandes, conversar com muitas pessoas diferentes em festas, preferir ficar sozinho e evitar multidões. As duas últimas têm pontuação invertida. Leia a pontuação como sinal de um padrão, não como uma descrição completa de quem você é.
Descubra sua pontuação
O gregarismo é apenas uma das seis facetas da extroversão. Você pode evitar festas grandes e ainda assim ser caloroso, assertivo ou cheio de energia.
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Fontes
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- Leikas, S. & Ilmarinen, V.-J. (2017). Happy now, tired later? Extraverted and conscientious behavior are related to immediate mood gains, but to later fatigue. Journal of Personality, 85(5), 603–615.
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